A crise imposta às universidades federais pelo governo, tem como objetivo a sua privatização

A crise vivenciada hoje pelas universidades federais, é fruto de uma ação mal intencionada do governo que tem como objetivo a privatização do ensino superior público.

Nos últimos anos, em especial nos anos do governo do PT, tivemos um crescimento substancial do ensino superior no Brasil. Tivemos a ampliação da rede federal com criação de novas universidades e de Institutos Federais, que hoje promovem também cursos de nível superior. Foi um investimento importante, mas o principal crescimento se deu no ensino privado.

Ao mesmo tempo que o estado ampliou a rede federal, promoveu o ensino privado, injetando dinheiro público, principalmente através da concessão de bolsas pelo Programa Universidade Para Todos – PROUNI e pelo financiamento direto através do Fundo de Financiamento Estudantil do Ensino Superior – FIES. Com a criação do PROUNI em 2005 e a ampliação do FIES, o ensino privado aumentou de forma significativa. O governo criou vagas públicas na rede privada, por serem vagas mais baratas, embora de qualidade duvidosa.

Pelos critérios para acesso às bolsas nas instituições privadas, ficou cristalizado a idéia de universidade pública para os ricos, que estudam nos melhores colégios particulares, ficando para os pobres as faculdades de baixa qualidade.

Os movimentos sociais pressionaram e conseguiram modificar esse panorama com a criação da lei das cotas. Hoje o estudante advindo da escola pública, assim como as minorias menos favorecidas, tem acesso aos principais cursos das universidades públicas que, embora com todos os problemas enfrentados, mantém ensino de qualidade.

A elite que sempre dominou nosso país vê isso como uma afronta. Por diversas vezes tentaram derrubar a lei das cotas,  universidades e, de forma pontual, a sua implementação em algumas universidades. Esse processo foi superado e a política de cotas é uma realidade.

A reação das elites hoje é um processo de ataques às universidades públicas, que tem como objetivo final  sua privatização. O governo ataca a autonomia universitária, principalmente com o corte de seu financiamento. Os cortes tem sido sucessivos e crescentes desde 2015 e com isso se promove o sucateamento das instituições que ficam sem dinheiro para manter os laboratórios, as bolsas de pesquisas e até mesmo o quadro de pessoal necessário para a sua manutenção.

Com essa política se busca diminuir a qualidade do ensino e da pesquisa das universidades públicas, tentando nivelar por baixo com as instituições privadas, justificando assim a privatização. Técnica usada para diversas instituições públicas já privatizadas.

Mas para além disso, a cada corte promovido, as universidades tem buscado se “adaptar” à nova realidade financeira, promovendo cortes internamente. A continuidade e ampliação dos cortes leva a comunidade a pensar sobre a possibilidade de cobrança de mensalidade.

Essa possibilidade de cobrança, já expressa em projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, vem hoje disfarçada, propondo o pagamento para os mais ricos, uma trama que consegue atrair até mesmo alguns das classes mais baixas da sociedade que estão fazendo bons cursos nas instituições públicas, com boa possibilidade de ascensão social. É bom não se enganar: o que eles querem mesmo é essa vaga, é impedir essa possibilidade de ascensão,

 

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