A universidade pública caminha a passos largos para a privatização: a hora de reagirmos é agora!

 

 

A crise nas universidades brasileiras, causado pelo governo que, com os sucessivos cortes, coloca em risco todo o processo de expansão e principalmente, o atendimento à população trabalhadora.

Nos últimos anos os processos de expansão das universidades, levaram à sua interiorização em todo o país, seja com a criação de campi avançados, seja com a criação de novas instituições de ensino. Essa política associada à lei das cotas favoreceu a entrada na universidade pública da população mais pobre e a criação e ampliação dos cursos noturnos,  do trabalhador.

Essa política de ampliação, nem de longe foi acompanhada pela contratação de trabalhadores e, principalmente no horário noturno, o estudante sempre teve mais dificuldades, por não ter um atendimento adequado, já que o quadro de pessoal não é suficiente para amplo atendimento nesse período.

Aliado a isso, foi adotado cada vez mais nos últimos anos, a substituição de pessoal efetivo por terceirizados.  O que inicialmente era para atender os setores de limpeza e vigilância, já está presente hoje em diversos setores das universidades, muito embora já tenhamos demonstrado por diversas vezes para os representantes do governo, em mesas de negociação, que todos os trabalhadores são importantes no processo de formação e que nenhum cargo deveria ser alvo de terceirização dentro das universidades.

O fato é que para esses trabalhadores, contratados através de empresas por via licitatória, tem seus contratos pagos por verbas que vem para a instituição, suscetíveis de cortes ou supressão, a depender de governos ou “crises”  por eles fabricadas.

No atual momento, com a política de cortes impostos às universidades, suas administrações, sem verbas para manter os contratos, estão cortando o contingente de pessoal, já deficitário. O corte vai para o pessoal da limpeza, vigilância, portaria, motoristas e toda a infraestrutura.

Por um lado temos o grave problema social, com a dispensa de muitos pais e mães de família, alguns com muitos anos dedicados, passando de empresa em empresa. Por outro lado, tememos pelo funcionamento da própria universidade. Fica difícil acreditar que vai funcionar com a metade do quadro de limpeza; de segurança quando vivemos um momento de necessidade de aumento e não de redução; e de infraestrutura.

Por último, vimos nessa política a intenção clara de reduzir as conquistas da população pobre e trabalhadora, com o acesso à educação pública, gratuita e de qualidade oferecida pelas universidades públicas. Primeiro vem a redução do quadro de trabalhadores da limpeza, vigilância e outros serviços, o que pode vir na sequência podemos imaginar: sem vigilância fica difícil manter cursos noturnos, sem trabalhadores suficientes para manter tudo limpo, deve diminuída a oferta de cursos e aí por diante.

A continuar a diminuição de recursos, como vem sendo aplicado a cada ano, vemos uma política clara do governo em “acuar” as universidades para, a cada dia, buscarem construir suas próprias receitas para sobreviver, ou seja, a universidade caminha a passos largos para a privatização.

O momento de reagirmos é agora, antes que seja tarde! Nós que construímos as universidades precisamos mostrar para a sociedade em geral o perigo que passam essas instituições e a importância que elas têm para o país e para a constituição de sua soberania.

Na UnB – Universidade de Brasília, onde centenas de trabalhadores estão com o emprego ameaçado e o próprio funcionamento pleno da universidade pode ficar comprometido, por conta dos cortes, nós trabalhadores já estamos nos movimentando com uma greve que envolve todos os trabalhadores, incluindo os terceirizados que estão em ameaça de desemprego. A luta conta também com o reforço dos estudantes que decretaram greve, contra a precarização,  as demissões e os cortes de receitas feitos pelo MEC.

É preciso que essa luta seja construída em todo o país e o diálogo com a sociedade seja feito para que compreendam a necessidade de estarem do nosso lado, para derrotar essa política nefasta do governo, operada pelo Ministério da Educação.

 

 

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