Reflexões sobre o XXIII CONFASUBRA

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Estive no último congresso da FASUBRA – Federação dos Sindicatos de Trabalhadores da Universidades Brasileiras, que ocorreu entre os dias 6 e 11 de maio do ano corrente. Fiz parte da direção dessa importante federação e hoje estou na base, componho a direção do SINTFUB – Sindicato dos Trabalhadores das Fundação Universidade de Brasília.

Foi um congresso bastante participativo, onde quase todas as entidades de base estiveram presentes. Lá se elegeu a nova direção da entidade, agora para os próximos três anos, pois foi aprovada emenda ao estatuto aumentando o mandato. Foram também aprovadas as deliberações que vão orientar a política para o triênio.

O grande destaque foi a aprovação do engajamento da federação, através de seus sindicatos de base, da campanha “Lula livre” com a formação de comitês. No nosso entendimento essa política foi escolhida como prioritária o que subordinou o plano de lutas aprovado. Não se trata de uma política específica da nossa federação, pois diversos sindicatos e federações e centrais sindicais tem aprovado da mesma forma.

A política aprovada no congresso representa o atraso que viveu o movimento sindical nos últimos anos. Com muito tempo depois, estavam lá repetindo o que fora a discussão no início do século, com o mesmo personagem, porém numa situação bem diferente. Naquele tempo houve todo o envolvimento do movimento sindical para eleger um legítimo representante da classe, alguém vindo do sindicato. Foi um tempo de esperança que terminou por se transformar em uma aposta com alto grau de desconfiança, no momento da eleição do Lula, por conta das alianças com o capital, impostos dentro da chapa.

A política defendida por Lula e aceita por parte considerável dos trabalhadores, de conciliação de classe, se mostrou um fracasso, que terminou por derrotar o governo que construímos. Como então defender o mesmo representante dessa política? A ascensão de parte dos trabalhadores aos altos cargos do poder, pode ser a explicação. Não se acostumam mais à vida de militância nas ruas, é mais cômodo nos gabinetes. Uma nova eleição de Lula poderia proporcionar seu retorno.

O pior disso é que parte significativa da esquerda “engoliu” essa ideia o que representa “um freio” no crescimento até então lento, mas consistente da esquerda que faz oposição e questiona o sistema. Esse retorno ao lulismo vai acarretar em mais alguns anos de imobilismo no movimento sindical, além da divisão que aconteceu durante todo esse tempo. Afinal nem todos tem a mesma leitura e muitos já não acreditam em salvador da pátria e, principalmente, quem se apresenta para tal tarefa.

Para as universidades hoje atacadas pelo governo, o resultado do congresso vai soar muito mal na base. As universidades fechando por imposição do governo, com forte ameaça de privatização, os trabalhadores sem nenhuma perspectiva de reajuste salarial e os sindicatos preocupados em fazer comitês.  Certamente vai haver uma reviravolta. Essa resolução está descolada da realidade das bases.

 

 

 

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