Política de cortes nas universidades federais é um crime contra a nação brasileira

A reitoria da UnB aumentou o preço da refeição no restaurante universitário em percentuais altíssimos para estudantes e trabalhadores. Para os estudantes o aumento foi de 220% e para os trabalhadores de 550%. O reajuste faz parte de um conjunto de medidas que a administração vem tomando frente aos cortes de verbas na universidade, mas são medidas que a médio prazo inviabilizam a universidade.

Desde o início dos cortes a administração adotou uma política radical de cortes onde os prejudicados são sempre o “lado mais fraco”. Os trabalhadores terceirizados foram demitidos em massa, assim como os estagiários., que são estudantes originários de famílias de baixa renda e que muitas vezes dependem do estágio para permanecer na universidade.

A redução do quadro de terceirizados é preocupante. Houve uma redução significativa no quadro de pessoal da segurança, nos cargos de vigilantes e porteiros, isso numa universidade que tem altos índices de criminalidade, com furtos, assaltos e crimes como os que ocorreram mais recentemente com uma estudante da biologia e agora como um estudante da filosofia.  É uma situação que exige reforço na segurança e não demissão de trabalhadores desse setor.

Já na limpeza, o contrato foi alterado de forma a reduzir o número de trabalhadores, mudando a frequência da limpeza em alguns casos para semestral e em outros para semanal, caso dos gabinetes, salas de professores, salas de aula, apenas um artifício usado, para justificar a super exploração dos trabalhadores que ficaram. Não dá para se falar em universidade de excelência quando se joga trabalhadores a uma situação de trabalho sub escravo.

Agora a medida de aumentar o valor da refeição no restaurante universitário – RU atinge em cheio esses trabalhadores que ganham muito pouco, moram na periferia e utilizam o RU pagando R$ 2,50, terão dificuldades de pagar R$ 13,00. Só gera mais sacrifício para essa parcela de trabalhadores, que é importante para a manutenção da universidade, que terão que acordar mais cedo, para preparar marmita.

Já para os estudantes, a universidade criou nos últimos anos mecanismos de acesso para a população mais pobre e das periferias, pessoas que tem que passar o dia inteiro na universidade. Muitos que não se enquadram no critério para gratuidade, mas que terão dificuldades para absorver o reajuste com o índice colocado.

É preciso que essa política seja revista. A política do governo representa um crime contra a nação brasileira, sufocando a universidade pública, que é onde se produz o ensino de qualidade e a pesquisa em nosso país. As universidades federais respondem por 89% da pesquisa realizada no Brasil, embora represente apenas 40% das matrículas no ensino superior. O orçamento para as universidades regrediu aos valores de 2010, sendo que nos últimos 8 anos o número de alunos matriculados nas federais praticamente dobrou.

Os reitores não devem ser simplesmente agentes do governo, para repassar para a universidade essa política que pretende sucatear a universidade para justificar sua privatização, como fizeram em muitos órgãos públicos.

É necessário que todos unamos nossas forças para combater essa política de entreguismo das nossas riquezas, do patrimônio do povo brasileiro!