Os baixo índices de aprendizagem no ensino básico, revelam uma tragédia ao nosso país

A divulgação dos resultados da “Prova Brasil” que avalia a educação básica mostra uma realidade preocupante para o futuro do Brasil. A avaliação que fazemos é que a crise econômica, política e social que vivemos vai continuar por muitas décadas e se não forem tomadas medidas urgentes, não será superado.

No processo vivenciado hoje de globalização, o emprego migra de nação em nação buscando melhores condições para o lucro, multiplicação do capital. Países com melhores condições de educação atraem as melhores oportunidades.

O Brasil há muito tem investido, de forma equivocada, em se tornar um grande fornecedor de matéria prima. Essa política até então determinou o baixo investimento na educação pela necessidade de pessoas no campo ou nas atividades de extrativismo vegetal e mineral, sem maiores necessidade de qualificação.

As mudanças ocorridas no campo, com a industrialização da lavoura desde o plantio à colheita, não foi acompanhada com mudança na educação, com maiores investimentos para preparar essa nova geração, expulsa do campo para uma nova realidade. Ou até mesmo para atrair investimentos que necessitam de mão de obra mais qualificada.

Se hoje o emprego se concentra na área de serviços, são, em sua maioria empregos mal remunerados, em sua maioria contratados por intermédio de empresas de terceirização, onde a diferença entre a escravidão é que os trabalhadores não são vendidos, mas alugados e para isso ganham um salário que deixa os trabalhadores na mesma situação de escravidão: se dá para pagar moradia, não dá para comer, se dá para comer não dá para garantir moradia.

O resultado disso é o desastre econômico e social que vivenciamos hoje. As cidades estão abarrotadas de jovens sem perspectivas. Muitos não estudam porque precisam “fazer bico” para ajudar os pais no próprio sustento. Se vão à escola, não se garante qualidade na escola pública e mesmo assim, a própria situação socioeconômica que o faz trabalhar estudar e ainda se preocupar com a violência das ruas, a violência da fome, produz baixo aproveitamento e o resultado está aí.

Importante sabermos que não se trata de crise na educação: trata-se de projeto articulado das elites de se manterem no poder político, econômico e social. Eles podem pagar os melhores colégios para seus filhos, seja no Brasil ou no exterior. Esse projeto é apoiado pelos organismos internacionais que servem, principalmente, para garantir o império e minar perspectivas dos países que visem “subir degraus” e concorrer com os que hoje dominam o mundo.

Em estudo recente do Banco Mundial, os técnicos indicaram através do relatório intitulado “Um ajuste justo” que o Brasil deveria reduzir investimentos na educação privatizando a educação superior e reduzindo investimentos na educação básica, o que para eles é reduzir custos. Indicaram que deveriam diminuir o número de professores.

Estamos em período eleitoral, fiquemos de olho: é preciso avaliar, pensar muito antes de depositar o voto na urna. Para além da necessidade de combate à corrupção não votando em políticos corruptos, é preciso ter um olhar especial para escolher pessoas realmente comprometidos com a educação. É principalmente  daí que depende o futuro do país.

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