O debate necessário sobre a defesa que a esquerda faz hoje sobre a candidatura de Lula à presidência

Quero avaliar a polarização colocada hoje dos que são a favor ou contra o ex-presidente Lula, como um sinal de degradação da esquerda que incentiva esse debate.

Até pouco antes da eleição do presidente Lula o PT era um partido de massa, mantido pelos trabalhadores. Muitos sacrificaram a cervejinha do final de semana para contribuir para eleição dos candidatos que acreditávamos estariam nos representando seja qual fosse a esfera de governo. Com a ascensão do PT, principalmente após a eleição do Lula, o partido passou a ser “regado” com um financiamento milionário atraindo quadros de outros partidos, inclusive de adversários históricos, que buscaram ali a segurança para sua continuidade no poder.

O partido como um todo jamais fez essa reflexão, sobre a chegada de tanto dinheiro, do interesse das grandes empresas em “investir” no PT e nas suas candidaturas. É obvio que necessitaria de uma reflexão, afinal nosso discurso sempre foi em defesa do socialismo, contra a exploração dos trabalhadores por essas empresas? E os “novos militantes”, eles se agregaram ao partido e absorveram o programa, ou apenas buscaram legenda como muitos sempre fizeram com os outros partidos, sem nenhum viés ideológico?

O resultado é que houve uma depuração e a maioria dos militantes que estavam ali por uma questão realmente ideológica foram embora. Restou lá, em maioria, aqueles que viram no crescimento do partido, uma oportunidade para sua ascensão pessoal, com a disponibilidade de cargos que isso proporcionou. O fato de Lula ser o maior “puxador de votos” da nossa história fez com que ele ficasse bem maior que o partido e assim suas ações além de não serem previamente discutidas também não foram censuradas.

Alegando a governabilidade os governos do PT com Lula e Dilma foram compostos com tradicionais partidos que vivem às custas do fisiologismo, uma das práticas mais repugnantes na política. Os representantes desses partidos, sempre se utilizaram de seus cargos, para através de elícitos financiarem seus partidos e adquirirem patrimônio.

A participação deles no governo, sem sombra de dúvida traria corrupção para dentro do governo, não houvesse uma política forte para coibir. O PT ao invés de cumprir seu papel de fiscalizar seus “parceiros” aderiu às suas práticas, se envolvendo em ilicitudes. Lula como representante maior do executivo adotou uma postura de se auto intitular “cego e surdo” para tudo que acontecia de errado dentro do governo enquanto se apresentava para o povo uma postura cínica de continuar com o velho discurso contra a burguesia enquanto desfilava ombro a ombro com os principais representantes dessa mesma burguesia. Com um enredo desses não poderia ser diferente e deu no que deu.

A condenação de Lula e o seu indiciamento em diversos outros processos não pode ser encarada apenas com a politização e demonização da justiça. Já diziam os mais antigos “onde tem fumaça tem fogo”.

Tudo vem sendo veemente negado o que não é nenhuma novidade, todos os acusados negam mesmo quando tem evidências visíveis. Seria até ideológico não acreditar nas palavras de empresários como os donos da Odebrecht, da OAS e outras empreiteiras, afinal são a elite que Lula tanto critica em seus discursos, embora todos saibam que há muito tempo cultiva amizade estreita com eles. Mas tem aliado importante também denunciando: e não é qualquer um. Trata-se de homem de confiança do PT e de Lula e que ocupou os principais ministérios nos governos Lula e Dilma. Achar que todos estão mentindo e somente Lula fala a verdade é como dizer que não se trata simplesmente de uma pessoa, mais de alguma espécie de divindade.

A esquerda sempre se pautou pela democracia e pelo principio da igualdade. Dentro dos sindicatos e dos nossos partidos sempre tivemos nossas próprias instâncias onde qualquer filiado tem direito de apresentar denúncia de irregularidade e os pares fazem a apuração dos fatos podendo sugerir ou não punição. Ninguém deveria estar acima disso. Lula foi denunciado não somente por um conjunto de empresários que o acusaram de troca de favores, mas também por um filiado a seu mesmo partido, um companheiro até então de sua total confiança e tudo isso é desconsiderado. Isso é indício de que não somente ele está enrolado, mas muita gente da cúpula do partido está no mesmo barco.

O lançamento da candidatura de Lula pelo PT é perfeitamente compreensível. Com esse processo de vitimização que foi criado a sua figura será, com mais força que em anos anteriores, cabo eleitoral para o crescimento do partido para eleição de deputados e senadores.

O que preocupa é o movimento de parte significativa da esquerda defendendo seu direito à candidatura, jogando tudo para debaixo do tapete. Isso representa a degradação da esquerda, o abandono de seus princípios. Lula não representa alternativa para a esquerda, até porque há muito tempo debandou para o lado da burguesia. Acima de tudo, não podemos jamais aceitar que exista a figura da pessoa que está acima da lei. Se um processo eleitoral sem a figura de Lula é ruim para o país, da mesma forma sua participação vai contaminar a disputa com o debate sobre perseguição política, judicialização, ficha limpa. São debates que podem ajudá-lo a chegar e se não se eleger, pelo menos ajudar o partido a crescer, que acho que é o objetivo principal, mas pode também ajudar a fortalecer candidatura da ultradireita conservadora.

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